Um dos grandes fenômenos da literatura mundial nos últimos anos, o norte-americano Dan Brown lançou em setembro do ano passado a terceira aventura do simbologista Robert Langdon, no melhor estilo romance cinematográfico. A saga tem como palco o centro das decisões políticas dos Estados Unidos, Washington, e utiliza a Maçonaria como fio condutor da narrativa. The Lost Symbol chegou ao Brasil dois meses depois com o título de O Símbolo Perdido e tornou-se um dos primeiros títulos das listas de mais vendidos.
O resultado disso foi uma intensa busca por informações sobre a Maçonaria e sua atuação no mundo, no melhor estilo de Robert Langdon. As referências aos segredos e as informações apresentadas pelo autor – que não é Maçom – fogem um pouco da realidade das Lojas Maçônicas e das Instituições que administram a Maçonaria mundial, porém, a maior parte dos leitores ligados à Maçonaria acredita que o livro é uma propaganda positiva para a Ordem. O bancário Rafael Grimaldi, 27 anos, leu o livro na primeira semana de vendas no Brasil e admitiu que a Maçonaria não chega a ser encarada como uma vilã ou como uma sociedade conspiratória, da forma que aparece nos outros livros de Dan Brown. “É uma excelente propaganda para todos nós. Na verdade, Dan Brown coloca a Maçonaria como uma das possíveis responsáveis pela transformação da sociedade mundial”, afirma Grimaldi.
O bancário refere-se aos dois grandes sucessos de vendas do autor, O Código da Vinci e Anjos e Demônios, transformados em filmes tendo Tom Hanks no papel do simbologista. Em ambos, há a figura de uma instituição considerada por Brown como vilã. No primeiro livro escrito pelo autor, Anjos e Demônios, Langdon enfrenta os poderosos Illuminati em sua cruzada contra a Igreja Católica dentro de Roma em plena escolha do novo Papa, enquanto O Código da Vinci tem a Opus Dei, uma prelazia da Igreja Católica, como vilã. Tanto os livros quanto os filmes foram sucesso de público e o surgimento de um segmento quase especializado de títulos voltados a teorias de conspiração.
Para Antonio Evangelista dos Santos Filho, 26 anos de iniciado na Maçonaria, o último livro do autor é uma propaganda para a Ordem, mas não necessariamente um retrato da realidade. “Algumas coisas eu não concordei, como por exemplo beber sangue numa caveira para chegar ao grau 33”, comenta o aposentado. Silva Filho concorda, entretanto, no que se refere a associações do autor. “Ele tem uma imaginação excelente. Parte das indicações que ele fez sobre o traçado de Washington e Maçonaria aproxima bastante o leitor que não conhece a capital norte-americana e que conhece um pouco dos traçados Maçônicos”.
Diversas revistas de circulação nacional abordaram a Maçonaria no mês de dezembro. Uma delas, a Superinteressante, da editora Abril, repete parte das críticas que o autor recebeu após o lançamento do livro: Brown não teria revelado tudo o que sabe sobre a organização. Porém, as revelações feitas pela publicação ficam aquém do que seriam os “segredos” maçônicos, exclusivos para aqueles iniciados na secular instituição. Dan Brown todavia consegue repetir o sucesso da fórmula, com uma narrativa emocionante, tempo limitado e uma trama repleta de reviravoltas e descobertas.
Acompanhe algumas das repercussões do livro:
- Revista Superinteressante, edição 272 (dezembro de 2009) - www.superinteressante.com.br
- Revista História viva, edição 71 (dezembro de 2009) - http://www2.uol.com.br/historiaviva/
- Revista Aventuras na História, edição 77 (dezembro de 2009) - http://historia.abril.com.br
- Entrevista com Dan Brown para o Fantástico (Rede Globo) do dia 03 de janeiro de 2010
- Matéria veiculada no Fantástico (Rede Globo) de 03 de janeiro de 2010